Objetivo
Fortalecer a autonomia técnica e o uso seguro da rede comunitária de Internet no quilombo Ribeirão Grande/Terra Seca, no interior de São Paulo, por meio da realização de uma oficina focada na manutenção básica da rede e práticas cotidianas de cuidados digitais, construída a partir das demandas identificadas em diálogos com as lideranças locais, com especial atenção à participação de mulheres e jovens da comunidade.
Conhecendo o projeto
A rede comunitária do quilombo Ribeirão Grande/Terra Seca surge como resposta às dificuldades de acesso à Internet em territórios marcados por isolamento geográfico, baixa oferta de serviços comerciais e custos incompatíveis com a realidade local. Diante desse cenário, a iniciativa nasce a partir da articulação das lideranças comunitárias com organizações da sociedade civil e do reconhecimento de que o acesso à Internet é essencial para o acesso efetivo a diferentes serviços públicos, o fortalecimento das organizações locais e a circulação de informações entre as famílias do território.
Desde sua implementação, a rede passou a integrar o cotidiano da comunidade, conectando as residências e criando novos espaços de uso coletivo. Com o passar do tempo, surgiram alguns desafios como a necessidade de capacitação voltada à manutenção técnica básica, a compreensão do funcionamento da infraestrutura e a adoção de práticas de cuidados digitais. Essas demandas reforçam a importância de processos formativos voltados à autonomia comunitária, com protagonismo das próprias moradoras e moradores na gestão dessa conectividade.
- Objetivos e abordagem pedagógica
O projeto pretende fortalecer a autonomia técnica e o uso seguro da rede comunitária no quilombo Ribeirão Grande/Terra Seca, a partir de uma oficina construída com base nas demandas identificadas pelas próprias lideranças locais. A abordagem pedagógica se fundamenta na escuta ativa e na valorização dos saberes locais, com foco em práticas cotidianas de manutenção básica da rede e cuidados digitais a fim de colaborar com o processo de apropriação tecnológica por parte da comunidade. O público-alvo são as mulheres da Rede Agroecológica de Mulheres Agricultoras (RAMA) e as/os jovens da região, responsáveis pela gestão da rede comunitária.
- Atividades desenvolvidas
As atividades incluem reuniões virtuais de alinhamento tanto com as lideranças comunitárias locais quanto com organizações que atuam na região, como a Sempreviva Organização Feminista (SOF). Estes encontros são destinados à definição conjunta de prioridades, cronograma e formato das ações, compreendendo e respeitando as dinâmicas locais de autogestão. O projeto prevê duas visitas presenciais à comunidade: a primeira para diagnóstico técnico e pedagógico; a segunda para a realização de uma oficina formativa sobre manutenção da rede e cuidados digitais. Passada a oficina, haverá um encontro online para fechamento do projeto e devolutiva dos resultados. Paralelamente, também serão produzidos materiais didáticos em formatos acessíveis (vídeos curtos e documentos ilustrados), elaborados a partir das demandas observadas ao longo do processo e validadas com a comunidade.
- Acompanhamento e continuidade
O projeto está em andamento e seu acompanhamento ocorre por meio do registro das atividades e sistematização dos aprendizados. Ao final, será produzido um relatório de consolidação dos resultados, visando subsidiar a continuidade das práticas de cuidado e gestão da rede pela própria comunidade, bem como a replicabilidade da experiência em outros territórios.